Vítima de Enchente

 

A paciente é residente e domiciliada em uma cidade do Litoral Paulista, morava nas margens de um rio em situação de risco. Com as chuvas, houve uma grande enchente e a mesma e todos os outros moradores tiveram as casas inundadas, perderam tudo; foram todos recolhidos e abrigados em vários lugares, ginásios, escolas, abrigos e Igrejas da cidade.

 

Essa paciente em particular que estava em um abrigo, relatou que tinha um quadro de depressão há mais ou menos quatro anos, desde a separação do marido, e que fazia uso de medicamentos ansiolíticos e afins. Referiu que já estava há mais ou menos quatro dias sem fazer uso desses remédios por ter perdido todos na enchente; estava com a roupa do corpo e os documentos, não tinha condições no momento de ir ao posto de saúde para passar no médico e solicitar os remédios. Contudo, os dirigentes do abrigo já estavam conversando com os médicos psiquiatras para resolver essa situação.

 

A paciente chorava muito, quase não conseguia falar, mas conseguiu expressar o sentimento de culpa que a torturava por ter se separado do marido e colocado os filhos em uma situação desfavorável. Ela contou que tinha uma vida econômica boa quando casada, porém o marido apesar de ser um excelente pai, tinha várias amantes, sendo esse o motivo que a levou a pedir a separação.

 

Relatou ainda que viveu esse sofrimento por muitos anos para proteger os filhos, mas a partir do momento em que eles atingiram a maioridade ela resolveu se separar, não se importando com as consequências. Após a separação ela ficou sem nada, morou na rua por uns quatro meses, não procurou a família de origem, foi resgatada por amigos, até que conseguiu levantar um barraco no entorno do rio, morou por uns dois anos até culminar nessa tragédia.

 

Após o relato, a paciente deu início a uma crise de choro e não conseguiu se controlar, não sabia o que ia fazer da vida, pois o seu mundo presumido havia desaparecido assim como desapareceu a sua casa arrastada pela enchente. Nesse momento convidei a paciente para juntas iniciarmos a aplicação da técnica do TFT, a mesma não esboçou nenhum tipo de reação visto que estava embotada, sem nenhuma perspectiva de futuro.

 

Iniciamos o tratamento de TFT para Traumas Emocionais. Em uma escala SUD (Unidade Subjetiva de Sofrimento) onde se mede de 0 a 10 o grau de seu sofriment, o SUD inicial era 10. Aplicamos os pontos do algoritmo de trauma complexo e conforme aplicávamos, o SUD foi baixando de 10 para 08, 07, 05, 03, 02, 01 e 00 após a sexta rodada do algoritmo. Ao final, a paciente parecia não acreditar e questionou: “Nossa! O que você fez comigo, toda a dor e angústia desapareceram, eu estou ótima, quando você vai voltar?”. Respondi que não voltaria e que esse era um atendimento único, mas que provavelmente os sentimentos que foram tratados também não voltariam.

 

O resultado do TFT nessa paciente foi fantástico, após o procedimento e todo o “espanto” que provocou nela, conseguiu elaborar a perda e se organizar psicologicamente, redesenhando e reconstruindo sua vida baseada na esperança realista e não em fantasia. Ela conseguiu lembrar que tinha uma boa quantia em dinheiro a receber do ex-marido, quantia essa que daria para comprar uma casa e ainda realizar o grande sonho de sua vida que era viajar. Contou que estava tão paralisada que não conseguiu lembrar antes dessa ação movida contra o ex-marido e, o mais importante, já ganha. Toda essa informação foi relatada diante de um dos filhos, que estava com ela no momento e comprovou a veracidade do relato da mãe.

 

No final da tarde encontrei novamente essa paciente e a sua dinâmica era bem diferente; estava ajudando outras pessoas abrigadas já como voluntária do próprio abrigo e me contou que no dia seguinte iria para o ginásio que tinha uma concentração maior de pessoas; tudo isso me deixou muito feliz e maravilhada! Mais uma vez pude comprovar a força do TFT!

 

Carla de Arno Freitas - TFT-Algo

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